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JORGE D'OXUM KARE - BABA OMINILE AXE KARE ELEYE - jorgedoxumkare@hotmail.com June 23 orkutORKUT FECHADOIntermídia, Reflexão ![]() SEM NOVAS FOTOS/SEM NOVOS ACESSOS. NÃO To nem msm respondendo recados. TO DANDO UM TEMPO DE ORKUT!Me encontrem no meu blog. Esta é a frase que abre meu ORKUT por estes dias. Não, ao contrário do que sugere o título deste post, a maior rede de relacionamentos no Brasil não está fechado, tão pouco está para fechar. Mas sim o meu perfil que está fechado para Balanço, como está lá descrito. Pq to fechando meu orkut para BALANÇO? Simplesmente o fato desta pergunta se passar pelas mentes alheias, ja é uma das principais razões para eu dar um tempo deste narcisismo sem motivo e invasivo. Excluir o ORKUT? Bem, não quero ser radical. Quero apenas dar um tempo para que as pessoas façam coisas mais interessantes do que acompanhar a minha vida. O Aquecimento Global está aí. As eleições e a Inflação também. Mas se as páginas dos jornais não são tão interessantes quanto a curiosidade mútua de nossos dias on-line, espero que encontrem em minha essência,meus pensamentos, minhas opiniões, minhas loucuras e neste Blog, algo mais construtivo do que minha rotina. Estou meio revoltado ultimamente com a super-exposição que estamos vivendo nestes dias de internet, Big Brothers e voyerismo . E dando vóz a este meu sentimento, encontro na música OLHO MÁGICO, do ministro da cultura Gilberto Gil, uma ótima reflexão sobre o nosso mundo contemporâneo. RESTA saber até quando eu aguentarei me manter distante deste vício chamado ORKUT. Sangue gay X San Hétero.sangue gay X sangue héteroNão escrevo no Blog a praticamente a mas de meses, isto devido ao corre-corre que está em minha vida. Em grande parte, devido minha religião. To sem tempo até para mim mesmo. Mas ao me deparar com uma notícia, no mínimo, revoltante eu resolvi dar uma pausa para escrever ( desabafar). O Ministério da Saúde enviou na ultima sexta, uma nota técnica confirmando que homossexuais não podem efetuar doação de sangue. ![]() Afinal, como sugere na ilustração a cima, qual a diferença entre o sangue gay e o sangue hétero? Há muito tempo não existe mais esta história de grupos de riscos e sim comportamentos de risco. Dizer que todo homossexual está apto a estar infectado com doenças sexualmente transmissíveis vai contra todas as recentes pesquisas sobre o tema, em que indica as mulheres heterossexuais como as mais infectadas. É indescutível de que se deve ter um controle dos doadores de sangue, levando em consideração de que o HIV, por exemplo, só é identificado no sangue após cerca de 90 dias da situação de risco. Agora, uma coisa é avaliar se o candidato a doador possui comportamentos de risco e outra coisa, completamente diferente, é avaliar se ele está apto ou não a doar sangue levando em consideração, simplesmente, sua orientação sexual. Não se pode dizer que todos os homossexuais tem um comportamento de risco. Este pensamento chega a ser absurdamente inacreditável em pleno século 21. ![]() Resta então a toda a comunidade gay apenas duas escolhas: Mentir, dizendo que não teve relação com outra pessoa do mesmo sexo no ultimo ano, OU deixar de ajudar a salvar vidas, muitas vezes de familiares ou amigos, por causa de uma restrição absurda, preconceituosa e sem fundamentos. O axé tá com Tudo.O AXÉ TÁ COM TUDO!!!Depois da explosão do axé católico PÓ PARA COM PÓ chegou a hora do hit JACARÉ IEMANJÁ, do grupo de comédia Grandes Bostas. A letra traz a receita de um sucesso garantido para um axé baiano. Vídeo hilariante, original, crítico e criativo. Vale a pena conferir: *** O vídeo fora excluído do YouTube por, segundo o google, violação dos termos de uso. Verdades absolutas?As VERDADES AbsolutasAs pessoas não conseguem enxergar o mal do absolutismo. Vira e mexe aparece alguém dizendo: "Para mim, ou é ou não é. Não existe meio termo!". Esta frase, repetida tantas vezes, pode até parecer real, mas será que é mesmo? Esta linha de pensamento absolutista prega a existência de opostos na natureza, na vida e nas pessoas. Segundo eles, ou algo é salgado ou é doce; ou você está vivo ou está morto; ou uma pessoa é boa ou ela é má. Acontece que o mínimo de estudo e reflexão sobre química, física, medicina e psicologia já é mais do que suficiente para demonstrar que estes argumentos não são apenas levianos, como são incoerentes, falsos e burros. Ou você ainda acredita em contos de fadas onde existam pessoas limitadamente boas, encantadoras e inocentes, confrontando com vilões malvados, perversos e cruéis, que são assim 24 horas por dia?Mas não é sobre este lado tolo do absolutismo que eu desejo relatar. Venho hoje aqui falar sobre as VERDADES Absolutas pregadas nas religiões mundo à fora. Na realidade, mais do que falar, permito que um fiel absolutista, cego pela sua fé, diga por si mesmo. Convido os leitores a assistirem ao vídeo indicado pelo blog da UNA (União Nacional dos Ateus), onde Afonso Henrique, seguidor do Império Geração jesus Cristo, um dos quatro jovens que destruíram imagens de santos em um centro espírita em Junho de 2008, e que se afirma como discípulo de Jesus Cristo e da Verdade, disse, dentre outras coisas, as seguintes afirmações: "Como todo mundo sabe, centro espírita é um local de invocação ao Diabo. Lugar onde as pessoas vão adorar satanás." "Todos os pais de santo são homossexuais" Se você também se revoltou e não concorda com que a internet possa ser usada como meio de incitar o preconceito contra as religiões afro-brasileiras e de atacar publicamente as polícias Civil, Militar e o Poder Judiciário. Saiba que a Justiça também não concorda."A Bíblia diz que a adoração às imagens de escultura é uma abobinação. Então eu repudio àquelas imagens também e comecei a quebrar, 'tacar' tudo para o alto." "Chegando na delegácia... àqueles policiais militares e civis completamente ignorantes pensam que são autoridade, mas não são autoridade. Para a Igreja eles não são auotridade." "Tanto a imprensa quanto a Polícia Militar servem o mesmo Deus, que é o Diabo." Assista ao vídeo na íntegra e tire as suas próprias conclusões: Tanto que o autor do vídeo Afonso Henrique Alves Lobato, de 26 anos e Tupirani da Hora Lores, de 43, foram os primeiros presos no país, na última sexta-feira no Rio de Janeiro, por crime de intolerância religiosa. Segundo a delegada Helen Sardenberg, que fez o pedido de prisão preventiva, "É preciso estar ciente da profundidade e dos riscos de novos conflitos...Acreditamos que a solução depende de uma verdadeira e enérgica ação, caso contrário, estaremos sendo espectadores de mais uma indigna e criminosa área de conflito entre os seguidores do espiritismo". E você, acredita em VERDADES ABSOLUTAS? A verdade tem sempre três lados: o meu, o seu e o verdadeiro.A verdade tem sempre três lados: o meu, o seu e o verdadeiro. ![]() Nenhum deles é falso, são apenas diferentes versões de uma mesma verdade. Afinal, quem nunca se deparou com uma situação em que duas pessoas te dizem diferentes versões de um fato e não saber em qual delas confiar. Acredite, com nenhuma das versões está o que realmente aconteceu. Mas isso não quer dizer que um deles esteja mentindo. Tão pouco que o façam por maldade, é apenas uma característica bem humana. Cada um tem uma personalidade, uma história de vida e um jeito único de enxergar o mundo. Isso faz com que quando cada um de nós contamos um fato, interfiramos nossas particularidades a ele. Sendo assim, não necessariamente por maldade ou benefício próprio, quando contamos algo a alguém sempre tem uma diferenciação, por mais que seja pequena, da realidade do fato. Isso é fácil de notar, por exemplo, em uma briga de casal. Quando uma pessoa vem reclamar do namorado para você, repare, o conjugue sempre é pintado como um monstro, insensível, egoísta e culpado. Por outro lado, aquele que lhe conta a briga é sempre inocente, bom e correto. Mas quando vai se ver o outro lado, normalmente se nota o mesmo contraste. Afinal, quem está com a razão? A verdade é que os dois estão certos. Cada um com sua particularidade, cada um com seu jeito de ver a vida. Ambos estão dizendo a verdade, apenas com visões diferentes. June 17 Endereço.Acho que assim fica melhor de entender. Meu barração é em Nova Iguaçu. jorgedoxumkare@hotmail.com 9818-0572 http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom.aspx?uid=2502313080295330172&pid=6&aid=1$pid=6 May 28 Primeira Classe"Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo. 'Qual o problema, senhora?', pergunta uma comissária.. 'Não está vendo?' - respondeu a senhora - 'vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra cadeira' 'Por favor, acalme-se' - disse a aeromoça - 'infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível' A comissária se afasta e volta alguns minutos depois. 'Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar mesmo na classe econômica. Temos apenas um lugar na primeira classe'. E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua: 'Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável'. E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu: 'Portanto senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe...' E todos os passageiros próximos, que, estupefatos assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé." EREErê - é o intermediário entre a pessoa e seu Orixá, é o aflorar da criança que cada um guarda dentro de si; reside no ponto exato entre a consciência da pessoa e a inconsciência do orixá. É por meio do Erê que o Orixá expressa sua vontade, que o noviço aprende as coisas fundamentais do candomblé, como as danças e os ritos específicos de seu Orixá. A palavra Eré vem do yorubá, iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré que significa “fazer brincadeiras”. O Ere(não confundir com criança que em yorubá é omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do orixá, ou seja, o Ere é o intermediário entre o iniciado e o orixá. Durante o ritual de iniciação, o Ere é de suma importância pois, é o Ere que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá do recém-iniciado. O Ere as vezes confundido com ibeji, na verdade é a inconsciência do novo omon-orixá, pois o Ere é o responsável por muita coisa e ritos passados durante o período de reclusão. O Ere conhece todas as preocupações do iyawo (filho), também, aí chamado de omon-tú ou “criança-nova”. O comportamento do iniciado em estado de “Ere” é mais influenciado por certos aspectos de sua personalidade, que pelo caráter rígido e convencional atribuído a seu orixá. Após o ritual do orúko, ou seja, nome de iyawo segue-se um novo ritual, ou o reaprendizado das coisas chamado Apanan. May 27 II Confêrencia pela Igualdade Racial.
April 22 De onde vieram nossos ancestrais afrnos
"Uma cidadela solitária e hostil. Raras fendas, abertas na bruta fortaleza, permitem entrar-lhe no recinto".A história desta região, que vai do Senegal a Angola, revela a presença de povos, desde há muito, conhecedores da agricultura e do ferro. Pertencentes aos milenares troncos linguísticos nígero-congolês ou banto, sua organização social ficou marcada por uma luta feroz contra a natureza hostil. Ampliar as sociedades, humanizar a terra e lutar contra um clima impiedoso foi tarefa que, desde a Antiguidade, empurrou colonos para as savanas em busca de melhores condições de vida. A crescente desertificação do Saara, assim como o árduo desflorestamento de áreas ao sul do deserto, convidava grupos a se estabelecerem, embora de forma dispersa, em planícies inundáveis e sobre pequenas colinas. A escolha de tais lugares não era aleatória. Estas eram regiões facilmente defensáveis contra ataques de feras ou gente inimiga. Desde o século X, estas áreas de intensiva produção agrícola e cultural foram se multiplicando por vales fluviais e terras altas, em qualquer lugar onde a enxada de lâmina estreita ou um bastão para cavar, instrumentos da sobrevivência cotidiana, pudesse fecundar o solo. . Foi assim que no século XI, um povo, chamado por seus precursores de tellem, se instalou nas falésias do Mali para cultivar as bordas do extenso planalto de Bandiagara. Nas frestas de pedras, em profundas cavernas, esses agricultores estocavam grãos, enterravam seus mortos e erguiam oferendas aos seus deuses. A partir do século XV, tal gente vai lentamente sendo absorvida por um povo de diversa origem, os dogons. Criativos a ponto de aproveitar a menor gota d'água que encontrassem, eles cultivavam o milhete ou painço. Além disso, no curso interior do rio Níger, aproveitavam áreas favoráveis para plantar arroz de sequeiro. Devemos a eles as mais belas esculturas e as mais coloridas máscaras de toda a África, máscaras costumeiramente guardadas por iniciados encarregados de "conservar as almas ancestrais". IDÉIAS E PRÁTICAS RELIGIOSAS DE NOSSOS ANCESTRAISIDÉIAS E PRÁTICAS RELIGIOSAS DE NOSSOS ANCESTRAIS A maior parte dos autores considera difícil reconstituir as idéias e práticas religiosas, pois essas eram constantemente renovadas. Os africanos não islamizados não possuíam escrituras, tinham, em lugar disto, tradições orais. E julgavam a religião por sua vivência diária, sobretudo quando se tratava de aliviar sofrimentos e de assegurar paz, prosperidade e fecundidade. Ai, se não funcionasse! O rei do Ndongo, atual Angola, fez executar onze fazedores de chuva durante uma terrível seca em 1575. Um tal "pragmatismo" religioso resultava em práticas e saberes religiosos muito diversos que aceitavam bem novidades se estas fossem válidas. As religiões estavam, pois, sujeitas a transformações, constituindo-se num dos aspectos mais plurais da cultura. Muitos observadores cristãos e muçulmanos se impressionaram com esse caráter diverso e fragmentado, reforçado pela ausência de textos escritos. Os bantos mantiveram certa homogeneidade religiosa da qual sua língua é testemunha. Certas palavras provam que idéias sobre um espírito criador, espíritos de ancestrais e da natureza, filtros e feitiços, rituais e feiticeiros eram comuns. Cada grupo, contudo, chegava a idéias e práticas específicas. No século XV, por exemplo, o povo congo parece ter partilhado a noção de que um "espírito criador" estaria acima dos demais, e que as forças da natureza e dos ancestrais eram muito ativas. Estatuetas era o suporte material dos avós mortos e, por extensão, figuras por meio das quais se recuperava e utilizava os espíritos do além. Obras de um sacerdote especialista, único responsável por sua força mágica, tais estatuetas intervinham para fazer frente aos problemas do cotidiano - doenças, esterilidade, conflitos de todo o tipo. Uma abertura no dorso ou na barriga da estatueta protegia nas preparações de feitiços para as diferentes necessidades. Havia os "bons" feitiços, favoráveis à riqueza e fecundidade. E havia os "vingadores", encarregados de, por meios dolorosos, remediar problemas. Cada linhagem matrilinear comunicava-se com seus ancestrais por rituais efetuados em tumbas. A fertilidade agrícola era invocada por chefes da terra, que se serviam de mediadores espirituais. Divindades da natureza confundiam-se, muitas vezes, com figuras humanas deificadas, como é o caso de Ogum ou Xangô, e muitos deles confundiam, também, os sexos. Já no reino Cuba, no século XVIII, veneravam-se três espíritos criadores diferentes numa mostra da complexidade da religião e pensava-se que as ameaças naturais eram fruto de desordem social e moral. No Mali do século XI sacrificavam-se animais para chamar chuva. No Benim, a divindade mais cultuada, segundo alguns autores, era Olodum: ele garantia filhos e riquezas e era o benfeitor particular das mulheres. As crenças diziam que os mortos viviam num mundo de sombras, reproduzindo as condições terrenas. Por isso mesmo os reis de Gana eram enterrados com seus ornamentos, sua comida, seus servidores. Em algumas destas cerimônias, segundo cronistas europeus, matavam-se dezenas de escravos. Na Costa do Ouro, os homens comuns, por vezes, endereçavam ao sacrifício uma de suas mulheres ou alguns de seus Filhos. Em Bissau, quando da morte do rei, sacrificavam-se jovens que caminhavam para a morte cantando e dançando. As pessoas eram simplesmente decapitadas. Entre os dogons, as cerimônias funerárias incluíam danças no telhado da casa dos defuntos, nas quais muitos mascarados participavam segundo regras precisas. O objetivo era afastar a alma, evitando que esta voltasse, apavorando os membros da família. Uma festa periódica permitia o uso de uma grande máscara em forma de serpente. Ela simbolizava o ancestral morto, elemento de ligação entre o mundo dos vivos e dos mortos. Onde havia sistemas patriarcais dominando as sociedades, prosperava o culto aos ancestrais. De toda a forma, como resumiu o escritor angolano Mia Couto, "Em África, os mortos não morrem nunca. Exceto os que morrem mal... Afinal, a morte é um outro nascimento". Onde a organização das aldeias era forte, a religião apoiava-se em sociedades secretas cujo objetivo era tirar força dos espíritos para curar doenças, assegurar a fertilidade e combater feitiços. É o caso da sociedade de iniciação Poro, presente em toda a África Atlântida. Ao longo de sete anos, jovens do sexo masculino passavam por três fases que os permitiam acesso ao conhecimento sobre a criação do mundo. O ensino era submetido a regras e hierarquias estritas. Os neófitos, ou seja, os que acabavam de ingressar na sociedade, falavam uma língua própria e cada classe portava ornamentos que as identificasse. Os iorubás e outros povos aparentados veneravam, por sua vez, várias divindades: os orixás, divindades da natureza (trovão, rios, arco-íris etc.) que, depois de sua deifícação foram assimilados a ancestrais fundadores de dinastias. Elas intercediam entre os homens e o deus criador, Olodum. Entre estes orixás, Xangô, com o rosto sempre coberto pelas franjas de sua coroa de contas, tinha um lugar especial no panteão dos deuses. Terceiro ou quarto rei de Oió, cidade situada ao norte do reino iorubá, na Nigéria, ele era ao mesmo tempo temido no que diz respeito à justiça e venerado por suas manifestações, que trazem chuvas regulares. Segundo as tradições orais, este soberano tirânico teria sido destronado e enforcado na floresta. Uma tempestade se teria abatido sobre a cidade de Oió, manifestando a cólera e a vingança de Xangô, vingança simbolizada no trovão e no raio. Desde então, ele se tomou o orixá dos raios, trovões e tempestades. Nas cerimônias que lhe são oferecidas, os sacerdotes portam na mão esquerda uma cabaça e na outra, o bastão com uma figura feminina penteada com a imagem do "duplo machado", emblema de Xangô. Esse remete tanto às pedras de raios lançadas pelo deus durante as chuvaradas, quanto à pedra neolítica que os camponeses teriam encontrado nos campos e interpretado como um presente seu. Os iorubás e outros povos aparentados serviam a um orixá quer por herança, quer porque a divindade, por intermédio de um adivinho, os teria escolhido. Alguns orixás eram reconhecidos em certas aldeias ou cidades, outros, em toda uma área cultural. Os seus adoradores podiam reunir-se e formar um grupo local provido de templo, imagens, sacerdotes, rituais coletivos e uma função no intenso e colorido ciclo de festas. A adivinhação também era largamente utilizada. Nela, destacava-se o Ifá, sistema ma no qual um profissional escolhia, entre várias centenas de versos memorizados, aqueles que servissem ao consulente. As coisas mudam quando surge o Islã. Esse se expandiu pela savana, em boa parte, graças ao comércio. Onde houvesse entrepostos ele se instalava. O Alcorão chegava junto com as barras de sal, os fardos de tecidos, os cestos, os objetos de cobre e os alimentos. Ia se insinuando, graças ao prestígio de que gozavam estas comunidades de mercadores. A gente local, devota de divindades ligadas a terra, às águas, às árvores, temia e respeitava este misto de comerciantes e sacerdotes, que perambulavam com talismãs ao pescoço - saquinhos de couro contendo um trecho do Corão - capazes de protegê-los de feitiçarias e inimigos. Além disso, previam o futuro, cuidavam dos enfermos e rezavam para chover. Estes mercadores aparecem nos livros como uângaras ou diuias. nossos ancestraisNo século XIV os tuaregues se convertem à nova fé. Nasce um grupo clerical, os kuntas, afiliado a uma das mais importantes fraternidades consagradas à penetração do Islã. No Bornu, entre 1574 e 1728, ao menos doze de seus soberanos fizeram viagens a Meca, passando pelo Cairo com enormes caravanas. Para a mesma época, há indicações de islamização extensiva nos campos. A dinastia Songai enraizada na curva do Níger se manteve, todavia, fiel à religião local. Sua queda, em 1493, ocasionada por uma coalizão de oficiais e clérigos dirigidos por ásquia (rei) Muhamed delongai, foi o primeiro golpe de Estado islâmico na África Atlântica. Entre os haussás, no fim do século XV, os soberanos das cidades-estados de Cano, Zaria e Katsina eram muçulmanos, mas isto não evitou tensões e resistências. Na última, um reputado centro de educação, conservavam-se ritos pagãos de coroação. O palácio, apesar do islamismo, era um bastião de culto aos espíritos. No sul, a expansão foi mais difícil. Grupos islâmicos vindos do norte da África e até do Oriente Médio pelo Sael, chegaram entre os iorubás no século XV. Mas, aos fins do século XVIII, o clero dos Estados haussás considerava que os iorubás pagãos podiam ser reduzidos à escravidão. Tanto religiosos muçulmanos quanto cristãos consideravam as religiões africanas obras do diabo. No reino Kano, islâmicos abateram árvores sagradas de onde saíam, segundo eles, "estranhos demónios", para construir mesquitas no lugar. Os africanos consideravam os muçulmanos poderosos feiticeiros. A crônica de Gonja, coleção de antigos documentos sobre a história do continente, revela que o rei se converteu depois de ter constatado a superioridade muçulmana na guerra. A hermética sociedade Poro fez de um deles membro, apenas para protegê-la de seus inimigos. Os amuletos de origem islâmica eram particularmente apreciados. O islamismo mudou até a genealogia dos reis negros. No Mali, diziam-se descendentes do muezim - aquele que anuncia em voz alta, as horas de preces - do profeta Maomé. No Kanem, atual Chade, os soberanos afirmavam ter origens no Oriente Médio. O Islã oferecia aos africanos do oeste uma idéia mais precisa do Criador e das maneiras de se aproximar dele, poderosas visões do paraíso e do inferno, um sentimento de destino a atingir e uma cosmologia sob autoridade da revelação divina. Nas cidades haussás do Bornu tudo isto foi adotado, mesmo por aqueles que continuaram adeptos do panteão local. Alá fundiu-se com o espírito criador. Emprestou-se da nova fé a idéia de anjos e demónios. Adotou-se a idéia de uma figura profética capaz de revelar o saber divino aos homens. Resultou disso uma variedade de crenças que os soberanos encorajavam na preocupação de manter a harmonia. Ibn Batuta viu, assim, o rei do Mali celebrar, de manhã, o ramada, indo, à tarde, ouvir os feiticeiros vestidos com máscaras de pássaros cantar louvores à dinastia reinante. Conta-se que um soberano de Jené fez construir uma mesquita dividida em duas partes: uma para muçulmanos, outra para pagãos. Até o século XVIII, sacrificavam-se animais para Alá, na corte de Katsina. Os muçulmanos reagiram contra tal ecletismo, condenando, o sacrifício de escravos e serviçais quando da morte de soberanos, punindo a excisão de mulheres e lutando contra a magia. A veneração do livro santo - o Alcorão - mostrou a que ponto a alfabetização podia separar as religiões. Muitas palavras africanas foram tomadas emprestado dos árabes, por exemplo, tinta, amuleto e lucro, entre os songai. Portanto, na sua terrível luta contra a natureza, os africanos se preocupavam, sobretudo, com a prosperidade e a harmonia no seio do mundo terrestre. Este ideal era encarnado pela figura do "grande homem", rico em armazéns de grãos, em gado, em ouro e, sobretudo, em escravos prontos para assegurar trabalho, segurança e poder. A poesia traz inúmeras imagens sobre essa existência ideal feita de riquezas, mulheres, filhos, títulos e uma longa vida. A busca da prosperidade levava a um espírito de reciprocidade, provado através da distribuição de bebidas, comidas a todos. O resultado é que não havia acumulação sem redistribuição. A fortuna - arziki, em haussá - se perdia facilmente onde a natureza era hostil e a morte se mostrava tão presente. Num mundo onde não faltavam terras, pobres eram aqueles que não podiam trabalhar, porque eram velhos, mutilados ou muito jovens, ou porque não podiam contar com a parentela para sobreviver. Fora do quadro familiar, a proteção era informal. Fonte: MARY DEL PRIORE E RENATO PINTO VENÂNCIO. ANCESTRAIS - UMA INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA ÁFRICA ATLÂNTICA Texto Adaptado Por Lokeni Ifatolà
April 21 EGUNS por Manuel Gomes Filho
Escreva a Sua Historia.Escreva a Sua História DOMINGO DE RAMOS.DOMINGO DE RAMOS
TEMPO DE QUARESMA. O Tempo da Quaresma O que quer dizer Quaresma? A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a Ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV. Na Quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais. Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma. Qual o significado destes 40 dias? Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer. O que os cristãos devem fazer no tempo de Quaresma? A Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade. Não somente durante a Quaresma, mas em todos os dias de sua vida, o cristão deve buscar o Reino de Deus, ou seja, lutar para que exista justiça, a paz e o amor em toda a humanidade. Os cristãos devem então recolher-se para a reflexão para se aproximar de Deus. Esta busca inclui a oração, a penitência e a caridade, esta última como uma conseqüência da penitência. Ainda é costume jejuar durante este tempo? Sim, ainda é costume jejuar na Quaresma, ainda que ele seja válido em qualquer época do ano. A igreja propõe o jejum principalmente como forma de sacrifício, mas também como uma maneira de educar-se, de ir percebendo que, o que o ser humano mais necessita é de Deus. Desta forma se justifica as demais abstinências, elas têm a mesma função. Oficialmente, o jejum deve ser feito pelos cristãos batizados, na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa. Pela lei da igreja, o jejum é obrigatório nesses dois dias para pessoas entre 18 e 60 anos. Porém, podem ser substituídos por outros dias na medida da necessidade individual de cada fiel, e também praticados por crianças e idosos de acordo com suas disponibilidades. O jejum, assim como todas as penitências, é visto pela igreja como uma forma de educação no sentido de se privar de algo e reverte-lo em serviços de amor, em práticas de caridade. Os sacrifícios, que podem ser escolhidos livremente, por exemplo: um jovem deixa de mascar chicletes por um mês, e o valor que gastaria nos doces é usado para o bem de alguém necessitado. O que é a Campanha da Fraternidade? O percurso da Quaresma é acompanhado pela realização da Campanha da Fraternidade a maior campanha da solidariedade do mundo cristão. Cada ano é contemplado um tema urgente e necessário. A Campanha da Fraternidade é uma atividade ampla de evangelização que ajuda os cristãos e as pessoas de boa vontade a concretizarem, na prática, a transformação da sociedade a partir de um problema específico, que exige a participação de todos na sua solução. Ela tornou-se tão especial por provocar a renovação da vida da igreja e ao mesmo tempo resolver problemas reais. Seus objetivos permanentes são: despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor: exigência central do Evangelho. Renovar a consciência da responsabilidade de todos na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária. Os temas escolhidos são sempre aspectos da realidade sócio-econômico-política do país, marcada pela injustiça, pela exclusão, por índices sempre mais altos de miséria. Os problemas que a Campanha visa ajudar a resolver, se encontram com a fraternidade ferida, e a fé, tem o compromisso de restabelecê-la. A partir do início dos encontros nacionais sobre a CF, em 1971, a escolha de seus temas vem tendo sempre mais ampla participação dos 16 Regionais da CNBB que recolhem sugestões das Dioceses e estas das paróquias e comunidades. Como começou a Campanha da Fraternidade? Em 1961, três padres responsáveis pela Cáritas Brasileira idealizaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistenciais e promocionais da instituição e torná-la autônoma financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada pela primeira vez na quaresma de 1962, em Natal-RN, com adesão de outras três Dioceses e apoio financeiro dos Bispos norte-americanos. No ano seguinte, 16 Dioceses do Nordeste realizaram a campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso País. Este projeto se tornou nacional no dia 26 de dezembro de 1963, com uma resolução do Concílio Vaticano II, a maior e mais importante reunião da igreja católica. O projeto realizou-se pela primeira vez na quaresma de 1964. Ao longo de quatro anos seguidos, por um período extenso em cada um, os Bispos ficaram hospedados na mesma casa, em Roma, participando das sessões do Concílio e de diversos momentos de reunião, estudo, troca de experiências. Nesse contexto, nasceu e cresceu a Campanha da Fraternidade. Qual é a relação entre Campanha da Fraternidade e a Quaresma? A Campanha da Fraternidade é um instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão e renovação interior a partir da realização da ação comunitária, que para os católicos, é a verdadeira penitência que Deus quer em preparação da Páscoa. Ela ajuda na tarefa de colocar em prática a caridade e ajuda ao próximo. É um modo criativo de concretizar o exercício pastoral de conjunto, visando a transformação das injustiças sociais. Desta forma, a Campanha da Fraternidade é maneira que a Igreja no Brasil celebra a quaresma em preparação à Páscoa. Ela dá ao tempo quaresmal uma dimensão histórica, humana, encarnada e principalmente comprometida com as questões específicas de nosso povo, como atividade essencial ligada à Páscoa do Senhor. Quais são os rituais e tradições associados com este tempo? As celebrações têm início no Domingo de Ramos, ele significa a entrada triunfal de Jesus, o começo da Semana Santa. Os ramos simbolizam a vida do Senhor, ou seja, Domingo de Ramos é entrar na Semana Santa para relembrar aquele momento. Depois, celebra-se a Ceia do Senhor, realizada na quinta-feira santa, conhecida também como o lava pés. Ela celebra Jesus criando a eucaristia, a entrega de Jesus e portanto, o resgate dos pecadores. Depois, vem a celebração da Sexta-feira da Paixão, também conhecida como sexta-feira santa, que celebra a morte do Senhor, às 15 horas. Na sexta à noite geralmente é feita uma procissão ou ainda a Via Sacra, que seria a repetição das 14 passagens da vida de Jesus. No sábado à noite, o Sábado de Aleluia, é celebrada a Vigília Pascal, também conhecida como a Missa do Fogo. Nela o Círio Pascal é acesso, resultando as cinzas. O significado das cinzas é que do pó viemos e para o pó voltaremos, sinal de conversão e de que nada somos sem Deus. Um símbolo da renovação de um ciclo. Os rituais se encerram no domingo, data da ressurreição de Cristo, com a Missa da Páscoa, que celebra o Cristo vivo. Fonte: CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Arquidiocese de São Paulo - Vicariato da Comunicação O que é a quaresma A quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender dos nossos pecados e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo. A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esfoço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que devemos viver como filhos de Deus. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal. Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos mais de Deus. Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar de nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem a nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição. 40 dias A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades. A prática da Quaresma data do século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão. Quaresma 2007de 21 de fevereiro até 31 de março Quarta-feira de Cinzas Com a imposição das cinzas, inicia-se uma estação espiritual particularmente relevante para todo cristão que quer se preparar dignamente para viver o Mistério Pascal, quer dizer, a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus. Este tempo vigoroso do Ano litúrgico se caracteriza pela mensagem bíblica que pode ser resumida em uma palavra: " matanoeiete", que quer dizer "Convertei-vos". Este imperativo é proposto à mente dos fiéis mediante o austero rito da imposição das cinzas, o qual, com as palavras "Convertei-vos e crede no Evangelho" e com a expressão "Lembra-te de que és pó e para o pó voltarás", convida a todos a refletir sobre o dever da conversão, recordando a inexorável caducidade e efêmera fragilidade da vida humana, sujeita à morte. A sugestiva cerimônia das cinzas eleva nossas mentes à realidade eterna que não passa jamais, a Deus; princípio e fim, alfa e ômega de nossa existência. A conversão não é, com efeito, nada mais que um voltar a Deus, valorizando as realidades terrenas sob a luz indefectível de sua verdade. Uma valorização que implica uma consciência cada vez mais diáfana do fato de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a terra, e que nos impulsiona e estimula a trabalhar até o final, a fim de que o Reino de Deus se instaure dentro de nós e triunfe em sua justiça. Sinônimo de "conversão", é também a palavra "penitência" Penitência como mudança de mentalidade. Penitência como expressão de livre positivo esforço no seguimento de Cristo. Tradição Na Igreja primitiva, variava a duração da Quaresma, mas eventualmente começava seis semanas (42 dias) antes da Páscoa. Isto só dava por resultado 36 dias de jejum (já que se excluem os domingos). No século VII foram acrescentados quatro dias antes do primeiro domingo da Quaresma estabelecendo os quarenta dias de jejum, para imitar o jejum de Cristo no deserto. Era prática comum em Roma que os penitentes começassem sua penitênica pública no primeiro dia de Quaresma. Eles eram salpicados de cinzas, vestidos com saial e obrigados a manter-se longe até que se reoconciliassem com a Igreja na Quinta-feira Santa ou a Quinta-feira antes da Páscoa. Quando estas práticas caíram em desuso (do século VIII ao X) o início da temporada penitencial da Quaresma foi simbolizada colocando cinzas nas cabeças de toda a congregação. Hoje em dia na Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, o cristão recebe uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta tradição da Igreja ficou como um simples serviço em algumas Igrejas protestantes como a anglicana e a luterana. A Igreja Ortodoxa começa a quaresma a partir da segunda-feira anterior e não celebra a Quarta-feira de Cinzas. INCENSO O incenso vem de "incendere", "incender", é uma das resinas que produz um agradável aroma ao arder. Esta palavra latina dá também origem ao termo "incensário" (instrumento metálico para incensar), enquanto a raíz grega "tus", que também significa incenso, explica a palavra "turíbulo" (incensário) e "turiferário"(o que carrega o turíbulo). O incenso é encontrado principalmente no Oriente, e desde antigamente no Egito, antes de os israelitas chegarem era usado em cerimônias religiosas, por seu fácil simbolismo de perfume e festa, de sinal de honra e respeito ou de sacrifício aos deuses. Já antes em torno da Arca da Aliança, mas sobretudo no templo de Jerusalém era clássico o rito do incenso (Ex. 30). A rainha de Sabá trouxe entre outros presentes grande quantidade de aromas a Salomão (1Rs.10). Os cristãos no século IV introduziram o incenso na linguagem simbólica de suas celebrações, quando se considerou superado o perigo anterior de confusão com os ritos idolátricos do culto romano. Atualmente, o incenso é usado na missa, quando se quer ressaltar a festividade do dia, o altar, as imagens da Cruz ou da Virgem, o livro do evangelho, as oferendas sobre o altar, os ministros e o povo cristão no ofertório, o Santíssimo depois da consagração ou nas celebrações de culto eucarístico. Com isso quer significar às vezes um gesto de honra (ao Santíssimo, ao corpo do defunto nas exéquias), ou símbolo de oferenda sacrificial (no ofertório, tanto o pão e o vinho como as pessoas). JEJUM Chamamos "jejum" (latim "ieunium") à privação voluntária de comida durante algum tempo por motivo religioso, como ato de culto perante Deus. Na Bíblia no jejum pode ser sinal de penitênica, expiação dos pecados, oração intensa ou vontade firme de conseguir algo. Outras vezes, como nos quarenta dias de Moisés no monte ou de Elias no deserto ou de Jesus antes de começar sua missão, marca a preparação intensa para um acontecimento importante. O jejum Eucarístico tem uma tradição milenar; como preparação para este sacramento, o cristão se abstém antes de outros alimentos. É na Quaresma, desde o século IV, que sempre teve mais sentido aos cristãos o jejum como privação voluntária da que existem em outras culturas religiosas ou por motivos religiosos. O jejum junto com a oração e a caridade, tem sido desde muito tempo uma "prática quaresmal" como sinal de conversão interior aos valores fundamentais do evangelho de Cristo. Atualmente nos abstemos de carne todas as sextas-feiras de Quaresma que não coincidem com alguma solenidade; fazemos abstinência e além do jejum (uma só refeição ao dia) na quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa. CÍRIO PASCAL A palavra "círio" vem do latim "cereus", de cera, o produto das abelhas. Ao falar das "candeias" , aludíamos ao uso humano e ao sentido simbólico da luz que os círios produzem. O círio mais importante é o que se acende na Vigília Pascal como símbolo de Cristo - Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro adornado. O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita à noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira previamente preparada se acende o Círio, que tem uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras alfa e Ômega, a primeira e a última letra do alfabeto grego, para indicar que a posição de Cristo, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio estará aceso em todas as celebrações durante cinqüenta dias, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecostes. Uma vez concluído o Tempo Pascal, convém que o Círio seja conservado dignamente no batistério, e não no presbitério. QUINTA - FEIRA SANTA A quinta - feira santa é o último dia da Quaresma e por sua vez, a partir da missa vespertina, a inauguração do Tríduo Pascal. Em latim seu nome clássico é "feria V in Coena Domini". É um dia íntimo para o povo cristão, certamente a quinta - feira mais importante do ano, principamente desde que a da Ascensão e do Corpus Christi são celebrados no domingo. É o dia em que Cristo, em sua ceia de despedida antes da morte, instituiu a Eucaristia, deu a grande lição de humilde serviço lavando os pés dos seus apóstolos, e os constituiu sacerdotes mediadores de sua Palavra, de seus sacramentos e de sua salvação. CEIA DO SENHOR O nome que, junto ao de "fração do pão", o dá por exemplo São Paulo em 1Cor 11,20 ao que logo se chamou "Eucaristia" ou "Missa": "Kyriakon deipnon", ceia senhoril, do Senhor Jesus. É também o nome que se dá a Missa atual: "Missa ou Ceia do Senhor" (IGMR 2 e 7) Na Quinta-feira Santa a Eucaristia com que se dá início ao Tríduo Pascal é a "Missa in Coena Domini", porque é a que mais intimamente recorda a instituição desde sacramento por Jesus em sua última ceia, adiantando assim sacramentalmente sua entrega na Cruz. A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja Católica, a Igreja Anglicana e algumas protestantes marcam para preparar os crentes para a grande festa da Páscoa. Durante este período, os seus fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do jejum, da esmola e da oração. A Quaresma dura 40 dias (os Domingos não contam). Começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Páscoa. Ao longo deste período, sobretudo na liturgia do domingo, é feito um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que pretendem viver como filhos de Deus. A duração da Quaresma está baseada no simbolismo do número quarenta na Bíblia. Nesta, fala-se dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, e seguido de zero significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades. O QUE O CANDOMBLE TEM A VER COM A CONDENAÇÃO DOS CRISTÃOS DO PAPA LÁ NO SÉCULO IV? 40 dias foi a pena do papa no século IV aos cristãos que desobedeciam a igreja e se envolviam na festa da carne (hoje conhecido como CARNAVAL - festa oriunda da cidade de Veneza), esses foram condenados a ficarem em quarentena, ficando em jejum de carne, músicas, alegrias, enfim tudo o que representasse o prazer da carne. Ótimo, respeito, mas o que o candomblé tem a ver com a condenação do paganismo, se ao ver dessa religião somos os próprios pagãos? Já escrevia Dias Gomes em O PAGADOR DE PROMESSAS, condenando, através do personagem Zé do Burro, o ato da mais conhecida cerimônia de Salvador A LAVAGEM DA ESCADARIA DA IGREJA DO NOSSO SENHOR DO BOM FIM. Mesmo que não estivéssemos abrindo mãos da nossa identidade (Universo), ficam as perguntas para os irmãos: 1- Por que teríamos que achar que Jesus cristo é Oxalá? E se esse Messias seria raspado na cabeça de um Yao? E quais seriam as folhas? Se fosse raspado, qual seriam as folhas de para o fundamento? As folhas de Oliveira ou os espinhos do Cactos? 2- Qual seria o propósito de estarmos cumprindo um dos requisitos da pena (não comer nem derramar sangue)? Visto que é uma data que antecipa a páscoa, ressurreição de cristo; e abrirmos kuras fazendo assim, não derramar sangue animal, e sim humano? 3- Por que estaríamos cumprindo um ritual que nem mesmo os cristãos cumprem? Pois não vemos mais nenhum deles ficarem 40 dias rezando, jejuando ou coisa assim. Em resumo, nos meus 35 anos de iniciado, nunca me deram uma resposta. Gostaria se algum irmão discordasse, enviasse um e-mail para que eu possa tentar compreender, porque mesmo sendo filho da ignorância, do tempo em que nossos pais falavam "eu corto assim porque meu pai me ensinou que é assim e ponto". Como falei no meu artigo anterior estamos na era da cultura escrita e temos que levantar aquela bandeira içada por grandes zeladoras (Meninha do Gantuá, Olga de Alaketu), na tentativa de deixarmos de ser uma sombra do cristianismo. Em tempo: Um pouco do que vem a ser a quaresma: A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do Dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito. Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades. A prática da Quaresma data desde o século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão. Candomblé respeita período da QuaresmaO tempo de parada não é igual para todas as casas, isso vai depender de cada terreiro, de cada calendário litúrgico e de cada nação cultuada A Quaresma não é um tempo sagrado respeitado somente pelos católicos. Jejuar, não comer carne vermelha na quarta e sexta-feira da Semana Santa e não festejar durante este período também são preceitos realizados pelos praticantes da religião candomblé. Neste período, muitos terreiros fecham suas portas e só reabrem na Páscoa, a exemplo do que acontece no Abaça São Jorge, a casa de Marizete Silva Lessa, 74 anos, há 65 na religião e conhecida em Aracaju somente como "Mãe Marizete". Ela fez o ritual de fechamento no último domingo, dia 13, e só vai reabrir o ilê (que significa casa em linguagem africana, o iorubá) no dia 27 de março. A única coisa que pretende realizar nesses dias é a consulta através do jogo de búzios. Mas alguns ilês praticam algo mais do que isso, cultuam seus orixás, mas de forma silenciosa, sem o barulho dos atabaques, indispensáveis nas festas em terreiros. Tradicionalmente, esse recesso é chamado de Lorogum, palavra iorubá que significa fofoca. "Se fôssemos traduzir o que a palavra quer dizer ao pé da letra, seria o tempo em que as casas devem fechar em sinal de respeito, até para não ter muita falação, muita história", comenta Mãe Marizete.O tempo de parada não é igual para todas as casas, isso vai depender de cada terreiro, de cada calendário litúrgico e de cada nação cultuada, mas de acordo com Mãe Marizete varia entre 12 e 15 dias. Alguns deverão reiniciar as atividades em maio, quando será celebrado o Corpus Christi, inclusive por conta de um processo histórico, já que no passado essa era uma data de grande festa no catolicismo e os negros aproveitavam para festejar com mais liberdade suas divindades. Segundo Mãe Marizete, o Lorogum é realmente a expressão do respeito pelo catolicismo, pois segundo ela quem é adepto do candomblé também é, de certa forma, praticante da religião católica, embora o candomblé não cultue imagens, muito menos as católicas, mas os símbolos da natureza, como as pedras."Apesar de todo o preconceito que os sergipanos ainda possuem contra nossa religião, atualmente já podemos ter essa proximidade, pois já aceitam, por exemplo, que a gente lave as escadarias da Catedral de Aracaju no dia de Oxum, comemorado em 8 de dezembro", falou a ialorixá. Mãe Marizete disse que apesar de resistente ao tempo, tanto o Lorogum quanto a Quaresma estão perdendo as características. Há alguns anos, segundo a ialorixá, tudo o que havia dentro do quarto de santo (no candomblé) era coberto com lençol ou pano de cor branca, enquanto nas igrejas católicas todas as imagens de santos eram encobertas com panos de cor roxa. "Hoje já não se vê mais isto, mas continuamos com o mesmo respeito", finalizou. March 23 A BUSCA PELO QUARTO BACANAA BUSCA PELO QUARTO BACANA
CRIADO OU CÔMODA?
Agradeço a sua visita! Que Oxum lhe cubra de ouro e paz.Jorge D'Oxum Kare
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